O programa “ Diabetes em Movimento”, é uma aposta na modificação de estilo de vida da população diabética através de exercícios físicos monitorizados por alunos da Licenciatura em Ciências de Desporto da UBI. As sessões decorrem até Junho no complexo desportivo da Covilhã.
Uma vida sedentária associada a hábitos alimentares pouco saudáveis são objetivamente fatores decisivos para a doença crónica diabetes tipo 2 estar mal controlada e contribuir para uma elevada morbilidade e mortalidade. O tratamento desta doença que afeta cerca de um terço da população portuguesa assenta para além das terapias farmacológicas num novo estilo de vida alavancado por uma alimentação saudável e um aumento significativo da atividade física.
Recorde-se a propósito que a prevalência de diabetes tipo 2 é de 11,7% (cerca de 900 mil portugueses) e a de pré-diabetes 23,2% (cerca de 1,7 milhões de portugueses) ora se considerámos que a incidência da doença por regiões não tem grande expressão e se extrapolarmos as percentagens para a população do concelho da Covilhã (Censos 2011) podemos inferir que haverá cerca de 6 mil diabéticos só neste concelho.
| O diretor técnico do projecto Diabetes em movimento Dr. Romeu Mendes |
É neste contexto, que surge o “Diabetes em Movimento”. Este programa de intervenção comunitária está alojado no CIDESD – Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano e é financiado pela FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia. O seu desenvolvimento na cidade da Covilhã é fruto de uma parceria entre a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e a Universidade da Beira Interior, com o importante apoio da Câmara Municipal da Covilhã e do Centro Hospitalar Cova da Beira.
Gratuito e motivador
Na verdade, o Departamento de Ciências do Desporto da UBI, conjuntamente com o Departamento de Ciências do Desporto, Exercício e Saúde da UTAD – Universidade de Trás-os-Montes, está a desenvolver o programa “Diabetes em Movimento” exclusivo, gratuito e motivador para pessoas com diabetes tipo 2, mediante inscrições prévias realizadas no horário e local das sessões de exercício e estão limitadas às vagas disponíveis.
As sessões deste programa decorrem no Complexo Desportivo da Covilhã, às segundas, quartas e sextas-feiras, entre as 18 e as 19 horas e decorrem, numa primeira fase, até Junho de 2012, sendo que, alunos da Licenciatura em Ciências do Desporto da Universidade da Beira Interior, apoiam e monitorizam as atividades divididas entre caminhadas na pista do complexo ou na sua periferia e exercícios físicos numa das salas desta infra-estrutura.
Para os alunos/monitores a experiencia que estão a vivenciar com o público-alvo referenciado é enriquecedora, porque operacionalizam no terreno o saber que adquirem na faculdade tal como testemunha Filipe Dias, “ quero abraçar a carreira de professor de educação física e trabalhar com estes públicos especiais, nomeadamente a população diabética, é uma mais-valia que permite por na prática a formação académica que recebemos, isto por um lado, enquanto por outro, as variáveis que encontramos nos exercícios propostos resultantes das limitações da própria doença dos participantes, constituem uma experiencia única que reputo de muito importante”. Assegurou este finalista da Licenciatura em Ciências do Desporto da UBI.
Boas condições na Covilhã
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| Cartaz do projecto |
Também os utentes do programa asseguram que as vantagens são importantes para o controle da doença assim como, o exercício em grupo aumenta os índices motivacionais para a prática da atividade física, “ fui encaminhado para este programa através da consulta de diabetes do Hospital da Covilhã, mas quando soube da sua existência fiquei logo entusiasmado. Controlar melhor a glicemia e adquirir mais resistência física, visando ainda a perda de algum peso um dos fatores para melhorar a qualidade vida são os meus objetivos. Conto ainda adquirir mais conhecimento ao nível do exercício físico adequado a esta doença. Importa ainda mencionar que a motivação de trabalhar em grupo é maior e usufrui-se da monitorização das atividades por pessoal qualificado, nomeadamente, estes jovens alunos da área do desporto da UBI”. Enfatizou Alfredo Costa de 60 anos de idade. Da mesma opinião comunga Maria Cecília 68 anos ” caminho pouco e não era nada bom para mim, com a atividade que vejo fazer aos colegas eu também sinto necessidade de a fazer, por isso estou muito contente por andar neste programa e acho que é bom para todos”.
A razão pela qual foi escolhida a cidade da Covilhã para implementar esta iniciativa foi esclarecida pelo diretor técnico do programa Diabetes em Movimento,” a Covilhã conseguiu reunir boas condições para a execução deste projeto. A universidade, o hospital ser de natureza universitária, a Câmara Municipal da Covilhã dispor deste magnifico espaço para a prática desportiva e termos conseguido alguns apoios, nomeadamente da indústria farmacêutica, contribuíram de forma decisiva”. Sublinhou Romeu Mendes, o elo de ligação entre a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro onde leciona e a UBI onde está acabar a licenciatura em medicina.
Investigar, controlar e melhorar
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| As sessões decorrem no complexo desportivo da Covilhã |
Com larga experiencia em projetos que abrangeram públicos-alvo diferenciados como idosos, mulheres pós-menopáusicas, obesos, deficientes motores e crianças com necessidades educativas especiais, Romeu Mendes aposta forte no programa Diabetes em Movimento e aponta o caminho para o aumento da adesão das pessoas: “ a diabetes é a pandemia do Séc. XXI por isso temos de combate-la com programas de intervenção desenhados de acordo com as necessidades dos diabéticos e queremos que as pessoas cheguem até nós. Para já trabalhamos diretamente com o Centro Hospital da Cova da Beira, que nos referencia os doentes através da Consulta de Diabetes e da Consulta de Nutrição e Atividade Física, mas esperamos, a curto prazo, que os Centros de Saúde e até a medicina privada participem neste encaminhamento. Este programa tem boas perspetivas de ter continuidade em Outubro, até porque o apoio do poder local já foi renovado. Para já estende-se até Junho deste ano”, garantiu este responsável.
De facto, o controlo glicémico e a melhoria da qualidade de vida são os objetivos centrais do projeto, tal como nos adianta o seu diretor técnico, “queremos que as pessoas diabéticas, quando de manhã e ao longo do dia picam o dedo para medirem a glicemia, obtenham valores cada vez mais próximos do normal, e isto é possível com exercício físico adequado ao seu metabolismo. Depois existe a vertente de investigação que fazemos controlando periodicamente algumas variáveis da aptidão física e da saúde dos utentes. Existe ainda uma componente de extrema importância que assenta na formação e na aprendizagem adquirida pelos alunos que estão monitorizar a atividade física. No essencial queremos melhorar a qualidade de vida e o bem-estar geral das pessoas”. Rematou Romeu Mendes.









